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domingo, 9 de junho de 2013

CURSO DE DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA EM BH



Nós, formandos da Fraternidade Agostiniana, participamos neste semestre do curso de Doutrina Social da Igreja, que teve como objetivo principal formar cristãos leigos e leigas para a missão pastoral, bem como favorecer a aquisição de competências e habilidades para agir no complexo campo da política, participando da construção de uma sociedade mais justa e solidária, à luz do “Ensino Social da Igreja e das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”. Foi um tempo rico de aprendizado onde criamos laços com todos os participantes, partilhamos e fizemos histórias.

Gleison Henrique (pré-noviço) e Dílson José (membro do grupo de Fé e Política da Paróquia Cristo Redentor)
Belo Horizonte/MG

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PARTILHA DE EXPERIÊNCIA


  Eliana Silva

Eliana Silva é o nome de uma ocupação situada na Avenida Perimetral, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Este nome se dá em homenagem a uma mulher de fibra que lutou pela instauração da Vila Corumbiara, que fora também um dia uma ocupação.

Despejadas no dia 25 de agosto passado, por meio de uma liminar de reintegração de posse, as famílias que ali residiam vivenciaram um momento de pleno terror. Como se não bastasse a presença de centenas de policiais fortemente armados, foi inaugurado, nesta ação, o novo veículo da Polícia Militar de Belo Horizonte, apelidado por “Caverão”. A presença de alguns religiosos(as), dentre eles os freis agostinianos, assim como de deputados, representantes do conselho de Direitos Humanos e advogados, foi de suma importância para que não houvesse maiores abusos da integridade moral e física das famílias resistentes.

Hoje a ocupação resiste numa área próxima ao local do último despejo, com mais de 350 famílias cadastradas pelo Movimento de Lutas nos Bairros Vilas e Favelas (MLB). Sabemos que a mesma carece de recursos materiais, no que toca a sua logística. Todavia a organização e a predisposição são exemplares, pelo espírito de partilha testemunhada por tantos cidadãos que lutam pelo seu direito à moradia.

No seguimento a Jesus, na opção preferencial pelos pobres, se faz presença profética os freis agostinianos, onde, de forma solidária e gratuita, a vida é partilhada tanto em momentos de culto quanto na vivência do dia a dia. A solidariedade dos freis e seminaristas, nesta realidade, testemunha, a espiritualidade encarnada proposta por Jesus em seu seguimento, e se faz fiel ao espírito primeiro da proposta da Vida Religiosa, sendo sinal de contradição e voz profética diante da injustiça social, a fim de promover a vida, e vida em abundância.

Paulo Henrique Cintra
Belo Horizonte/MG










segunda-feira, 25 de junho de 2012

I FÓRUM DAS OBRAS SOCIAIS AGOSTINIANAS

Realizou-se dos dias 05 a 07 de junho, no Recanto Santo Agostinho, em Mário Campos-MG, o I Fórum das Obras Sociais Agostinianas. Se fizeram presentes religiosos agostinianos, diretores, coordenadores, educadores e funcionários das diversas obras presentes nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Com um público diversificado, o evento funcionou como um espaço de diálogo e reflexão sobre a "Identidade de uma 'escola agostiniana' em Pastoral". 

O Fórum foi bastante animado. Conferências, oficinas temáticas, momentos de espiritualidade, apresentação cultural e muita alegria foram alguns ingredientes que deram sabor de “quero mais” ao evento.



Frei Emerson Carlos
Rio de Janeiro/RJ







sexta-feira, 11 de maio de 2012

MISSA EM HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES




Mais este ano, na manhã do dia 1 de maio, dia de São José Operário, protetor dos operários, pessoas de várias paróquias da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida (RENSA) se reuniram, na Praça da Cemig – Contagem/MG –, para participarem da celebração eucarística em Ação de Graças ao Dia Internacional dos Trabalhadores.

Para quem desconhece, esta celebração neste local tem uma história muito peculiar. Ela é resultado de muitos enfrentamentos com os poderosos, de luta do povo, de quebra de obstáculos. Segundo relatos do Frei Paulo Gabriel, OSA, a primeira celebração na praça data de 1979, época em que o Regime Militar articulava fortes repressões contra a classe dos trabalhadores. Nesse contexto, a igreja, por sua vez, servia como espaço para a realização de assembleias sindicais e reuniões dos engajados no mundo laboral. Nesse espaço, na igreja, a polícia não invadia, por isso era possível agrupar alguns trabalhadores para discutirem situações que o afligiam. A celebração da Praça de Cemig nasceu então como uma manifestação pública da luta dos trabalhadores imbuída de um espírito político, mostrando que a igreja estava sim do lado dos operários e não dos poderosos militares que reprimiam com violência.

Nesse ano, o deslocamento até a praça aconteceu por meio de uma grande carreata com saída da Matriz Cristo Redentor, organizada pelo Grupo de Fé e Política existente na paróquia. Antes, uma oração inicial feita pelo Frei Eustáquio Gouvêa possibilitou relembrar a importância do comparecimento de todos, enquanto igreja, nesta manifestação de fé, determinação e coragem do povo.

Na ocasião, os formandos das Fraternidades Agostiniana e Santa Mônica estiveram presentes juntamente com os Noviços vindos de Bragança Paulista, além de seminaristas e religiosos de outras congregações e ordens. É válido o fato de participar desta celebração porque nos faz conhecer um pouco da realidade dos trabalhadores da região metropolitana de Belo Horizonte, principalmente do bairro onde moramos, Barreiro.

Visto que, sobre isso, na mesma praça, alguns operários que trabalham em indústrias do bairro (Vallourec & Mannesmann, Magnesita, entre outras), assim como representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte, Contagem e Região se mobilizaram para protestar com faixas a demissão de vários funcionários antigos destas fábricas para contratação de outros com salários mais baixos. Verdadeira injustiça da parte dos empresários com os operários que já batalham nestas firmas há bastante tempo pelo pão de cada dia.

Outros integrantes de centrais sindicais igualmente se fizeram presentes à missa para pedir pela redução da jornada de trabalho, por investimentos em qualificação profissional, além de melhores condições de trabalho. Diferentemente desse contexto, outros trabalhadores compareceram à celebração para terem as carteiras de trabalho abençoadas, ou mesmo agradecer pelo emprego atual.

A Celebração Eucarística foi presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Luiz Gonzaga Fechio, e concelebrada pelos presbíteros e diáconos que trabalham nas paróquias que fazem parte da RENSA. Antes da benção final, ao Vigário Episcopal da RENSA, Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA, dom Luiz Gonzaga muito o agradeceu e parabenizou pela dedicação e responsabilidade na organização daquela celebração.

Para reflexão desta mensagem sobre o Dia dos Trabalhadores aqui na região de Belo Horizonte lhes apresento o poema cunhado pelo Frei Paulo Gabriel e extraído de um dos seus livros (GABRIEL, Paulo. Poemas de Periferia. Belo Horizonte: Editora Veja, 1981). O texto denuncia uma das repressões a qual muitos foram vítimas em 1979 com o intuito de que não acontecesse a missa na Praça da Cemig. Isso é perceber que o passado também nos ensina a pensar o presente.



1º MAIO DE 1979

No meio da noite,

quando os operários dormiam

esperando o dia do grito,

da luta e da justiça,

os assassinos

do DOPS, do SNI e da polícia

invadiram o GETEC,

o CET.

o Jornal dos Bairros

e o CCO,

e roubaram,

saquearam,

destruíram

a vida do povo mimeografada,

diagramada e publicada

com amor e com constância.



Levaram máquinas,

papéis,

documentos,

arquivos,

telefones,

tudo destinado a apodrecer

nos porões da morte e da opressão.



No meio da noite,

quando eles abriam as portas do povo

para roubar seu pensamento,

na mesma hora

do mesmo dia,

seu companheiro e mestre

na arte da tortura

- Fleury –

bebia água até afogar-se num rio em São Paulo.



A morte avança já,

irreversível.

Começa pelo chefe,

vai logo descendo,

outros cairão! ...

Todos vítimas

de torturas invisíveis.



Leandro Santos de Carvalho

quarta-feira, 14 de março de 2012

VISITA AO LAR DONA PAULA

Nos dias 12 e 20 de fevereiro os irmãos do aspirantado (Bruno Castro, Danilo Nascimento, Davidson Bertuce, Gleisson Henrique, Hélio Araújo, Luan Souza e Rodolfo Oliveira) e eu fizemos uma visita a um asilo no bairro Padre Eustáquio, Belo Horizonte. O Lar Dona Paula é uma instituição que acolhe mulheres idosas e tem como objetivo proteger e incluir socialmente as acolhidas, oferecendo condições dignas de convivência e estimulando a vida social e emocional.
As visitas ao lar nos propiciaram contato com uma realidade diferente contribuindo para nosso crescimento humano. Por meio dos encontros pudemos notar a importância de voluntários somarem forças com os funcionários e as Pequenas Irmãs da Divina Providência, que tomam conta do asilo, a fim de proporcionar uma vivência mais digna às idosas que necessitam de tanto amor e carinho. E foi nessa intenção solidária às acolhidas que resolvemos fazer um trabalho de animação no local, com muita música, brincadeiras e danças, propiciando momentos de distração e  alegria.
Nada se compara às experiências vividas nesses dias de visitas. Ganhamos mais ânimo e mais força de vontade com cada sorriso, cada abraço, cada gesto de carinho das senhoras idosas. Foram momentos mágicos vividos em um lugar onde a esperança era algo escasso. E doar um pouco de nosso tempo e do nosso acalento nos trouxe uma grande fortaleza para seguirmos caminhando em frente, rumo à consagração à vida religiosa.


Ao final das visitas voltamos renovados e evangelizados, com a certeza de que conseguimos sorrisos de muitas idosas e que cada momento vivido ao lado delas foi único. Valeu a pena cada minuto ali naquele espaço! Sabíamos que seria difícil não nos comovermos com elas, por isso alguns de nós não conseguiram conter as lágrimas e nos emocionamos. Enfim, pela grande lição de vida aprendida elas ficarão sempre em nossos corações.

Bruno Reis 
Belo Horizonte