sexta-feira, 11 de maio de 2012

MISSA EM HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES




Mais este ano, na manhã do dia 1 de maio, dia de São José Operário, protetor dos operários, pessoas de várias paróquias da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida (RENSA) se reuniram, na Praça da Cemig – Contagem/MG –, para participarem da celebração eucarística em Ação de Graças ao Dia Internacional dos Trabalhadores.

Para quem desconhece, esta celebração neste local tem uma história muito peculiar. Ela é resultado de muitos enfrentamentos com os poderosos, de luta do povo, de quebra de obstáculos. Segundo relatos do Frei Paulo Gabriel, OSA, a primeira celebração na praça data de 1979, época em que o Regime Militar articulava fortes repressões contra a classe dos trabalhadores. Nesse contexto, a igreja, por sua vez, servia como espaço para a realização de assembleias sindicais e reuniões dos engajados no mundo laboral. Nesse espaço, na igreja, a polícia não invadia, por isso era possível agrupar alguns trabalhadores para discutirem situações que o afligiam. A celebração da Praça de Cemig nasceu então como uma manifestação pública da luta dos trabalhadores imbuída de um espírito político, mostrando que a igreja estava sim do lado dos operários e não dos poderosos militares que reprimiam com violência.

Nesse ano, o deslocamento até a praça aconteceu por meio de uma grande carreata com saída da Matriz Cristo Redentor, organizada pelo Grupo de Fé e Política existente na paróquia. Antes, uma oração inicial feita pelo Frei Eustáquio Gouvêa possibilitou relembrar a importância do comparecimento de todos, enquanto igreja, nesta manifestação de fé, determinação e coragem do povo.

Na ocasião, os formandos das Fraternidades Agostiniana e Santa Mônica estiveram presentes juntamente com os Noviços vindos de Bragança Paulista, além de seminaristas e religiosos de outras congregações e ordens. É válido o fato de participar desta celebração porque nos faz conhecer um pouco da realidade dos trabalhadores da região metropolitana de Belo Horizonte, principalmente do bairro onde moramos, Barreiro.

Visto que, sobre isso, na mesma praça, alguns operários que trabalham em indústrias do bairro (Vallourec & Mannesmann, Magnesita, entre outras), assim como representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte, Contagem e Região se mobilizaram para protestar com faixas a demissão de vários funcionários antigos destas fábricas para contratação de outros com salários mais baixos. Verdadeira injustiça da parte dos empresários com os operários que já batalham nestas firmas há bastante tempo pelo pão de cada dia.

Outros integrantes de centrais sindicais igualmente se fizeram presentes à missa para pedir pela redução da jornada de trabalho, por investimentos em qualificação profissional, além de melhores condições de trabalho. Diferentemente desse contexto, outros trabalhadores compareceram à celebração para terem as carteiras de trabalho abençoadas, ou mesmo agradecer pelo emprego atual.

A Celebração Eucarística foi presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Luiz Gonzaga Fechio, e concelebrada pelos presbíteros e diáconos que trabalham nas paróquias que fazem parte da RENSA. Antes da benção final, ao Vigário Episcopal da RENSA, Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA, dom Luiz Gonzaga muito o agradeceu e parabenizou pela dedicação e responsabilidade na organização daquela celebração.

Para reflexão desta mensagem sobre o Dia dos Trabalhadores aqui na região de Belo Horizonte lhes apresento o poema cunhado pelo Frei Paulo Gabriel e extraído de um dos seus livros (GABRIEL, Paulo. Poemas de Periferia. Belo Horizonte: Editora Veja, 1981). O texto denuncia uma das repressões a qual muitos foram vítimas em 1979 com o intuito de que não acontecesse a missa na Praça da Cemig. Isso é perceber que o passado também nos ensina a pensar o presente.



1º MAIO DE 1979

No meio da noite,

quando os operários dormiam

esperando o dia do grito,

da luta e da justiça,

os assassinos

do DOPS, do SNI e da polícia

invadiram o GETEC,

o CET.

o Jornal dos Bairros

e o CCO,

e roubaram,

saquearam,

destruíram

a vida do povo mimeografada,

diagramada e publicada

com amor e com constância.



Levaram máquinas,

papéis,

documentos,

arquivos,

telefones,

tudo destinado a apodrecer

nos porões da morte e da opressão.



No meio da noite,

quando eles abriam as portas do povo

para roubar seu pensamento,

na mesma hora

do mesmo dia,

seu companheiro e mestre

na arte da tortura

- Fleury –

bebia água até afogar-se num rio em São Paulo.



A morte avança já,

irreversível.

Começa pelo chefe,

vai logo descendo,

outros cairão! ...

Todos vítimas

de torturas invisíveis.



Leandro Santos de Carvalho

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