quarta-feira, 13 de agosto de 2014

RETIRO DO PROFESSÓRIO AGOSTINIANO



No último fim de semana (dias 08, 09 e 10 de agosto), nós, da Fraternidade Santo Dias, de Diadema/SP, estivemos em retiro no Mosteiro da Transfiguração dos Monges Beneditinos Camaldolenses, em Mogi das Cruzes/SP, assessorados pelo Pe. Tony Sheridan, espiritano.

Tal como a subida ao Tabor, iluminados pela intimidade de Jesus com seus discípulos, vivenciamos a transformação dos nossos medos, anseios e dúvidas. Reluzidos pelo amor e fortificados pela oração, movidos pelo espírito missionário, descemos o monte para retomar a “rotina nossa de cada dia” na certeza de que “Deus está descoberto no agora de nossa existência” (K. Rahner).

Que esse mesmo Deus incondicionalmente amor conduza nossos esperançosos passos num caminhar frutífero e evangelizador!


Frei Francis Armando
Diadema/SP










terça-feira, 12 de agosto de 2014

O CAMINHO DA HUMILDADE

Detalhe de "Santo Agostinho" - Felipe de Champaigne.  Los Ángeles County Museum of Art.

Em Tagaste, África, por volta de 354 – 430, existiu um homem culto, inteligente, de boa locução e inquieto, que sempre buscou dar sentido a sua vida. Agostinho, em meio à sua desenfreada busca ao encontro da verdade, dedicou-se a textos filosóficos, dentre eles, os referentes ao pensamento neoplatônico. Nos mesmos, percebeu que a verdade primeira que rege todas as coisas e que dá sentido a tudo advinha do uso da razão.

Em suas leituras, Agostinho notava grande sapiência nos antigos pensadores, e percebeu que a razão era o verdadeiro caminho que se deveria fazer para encontrar tal verdade que tanto lhe almejava possuir. Em um de seus escritos, Agostinho, aconselhado por Siciliano, nos assinala que a razão é fruto de Deus atribuído ao homem por sua gratuidade e bondade eterna. Tal reflexão leva a pensar sobre a maneira como os pensadores antigos e ele próprio, Agostinho, se portava em meio à soberba engendrada pela sabedoria, em contraponto à humildade Jesus, Deus encarnado, que por amor decidira viver uma vida humana. “E o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo. 1,14a). De tal modo, Agostinho observa que não é possível trilhar pela verdade e chegar à Luz sem a humildade de perscrutar ouvir os desígnios do Senhor em nossas vidas.

"Santa Monica e Santo Agostinho" - Gioacchino Assereto
Mesmo sendo considerado um grande sábio, Agostinho, tendo plena certeza de onde deveria chegar, sentia-se em meio a caminhos tortuosos e sem proteção alguma. Mediante a leitura das cartas paulinas, Agostinho sentiu-se penetrado de maneira admirável por uma força que o fazia buscar dentro de si a Luz inefável que nunca se ofusca. Encontro que só foi possível através do entendimento e prática da humildade cristã. Agora não mais tagarelava frases eloquentes, mas falava aquilo que sentia o coração.

Agostinho não foi o único a viver essa experiência. Na Bíblia encontramos uma personagem que possuía características semelhantes às de Agostinho: uma mulher que em sua casa hospedava peregrinos. Muito zelosa com os serviços da casa, Marta estava sempre preocupada em bem servir a seus hóspedes. A mesma era consciente de suas próprias qualidades e tinha orgulho delas. Certa vez, ao servir não mais a um hóspede, como tantos outros que lá passaram, mas a Jesus, o Cristo, Marta ouviu que há muito se preocupava com coisas pequenas. No entanto, aquilo a que ela menos dava importância era o que realmente era essencial.Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça e tudo mais vos será acrescentado (Mt. 6,33).

"Santo Agostinho" - Frei Miguel Lucas, OSA

Marta estava preenchida do orgulho de suas qualidades, porém havia se esquecido de que na vida fazemos um caminho em direção à Verdade das verdades. Nada que é humano e sensível está totalmente pronto; assim, o orgulho de nossos dons nos faz criar raízes em terra seca, em contraponto ao que mais queremos, que é nos deleitar no manancial de Água Viva.

Muitas vezes nos apegamos a coisas vãs e tolas e nos esquecemos de que o Nosso Deus é a fonte primeira de tudo o que existe. Os elogios que costumamos receber nos aprisionam na medida que passamos a valorar demasiadamente o que, por ventura, é excesso. “Só Deus basta” (Stª Tereza D’Ávila). Esquecemo-nos de que o caminho ao qual fomos chamados e nos predispomos a seguir tem como ponto de chegada o “tudo que nos falta”, a Verdade última. Por fim, como Agostinho e Marta, necessitamos escutar a voz interior que nos mostra o que é verdadeiramente importante. Somente através da humildade e do reconhecimento do que verdadeiramente somos e possuímos, sejam nossas misérias interiores, sejam os dons gratuitos ofertados por Deus, é que podemos nos desprender das belezas fúteis e trilhar caminho ao Eterno, lançando-nos enfim à luz que não se apaga, como disse o próprio Agostinho.

Agnaldo Júnior
Belo Horizonte/MG

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

COMUNIDADE EM DIREÇÃO À COMUNIDADE



A nascente Comunidade São José, da Paróquia Cristo Redentor, em Belo Horizonte/MG, é formada por um povo simples, esperançoso, celebrativo, aberto à vontade de Deus e com muitas pessoas de uma mesma família. Em Sete Lagoas existe também uma comunidade nestes moldes e também com familiares desses. Por essa aproximação, a Comunidade São José e Frei Anderson foram convidados a participar dos festejos do padroeiro em Sete Lagoas e trocarem experiências tão divergentes e tão parecidas.

Este momento foi de muita graça de Deus, justamente porque estar em comunidade, ser Igreja onde passarmos é muito enriquecedor. Trocamos experiências, confraternizamos um delicioso almoço, conhecemos novas pessoas e rezamos a Deus por ambas as comunidades.

Lançar as redes sempre! Viver a graça de sentir o cheiro das ovelhas é viver a partilha e celebrar na simplicidade o Ressuscitado. Louvado seja Deus por tão grande graça!

Frei Anderson Domingues
Belo Horizonte/MG

SALMO 81 - UMA RELEITURA



Deus vê, ouve e desce



A lua cheia anuncia uma nova vida

Uma vida nova cheia de esperança

A onde todos esperavam a partida

Deus ouve seus clamores de mudança


Ao ouvir o seu povo clamando

Deus o liberta de todo sofrimento

Agora, são só os instrumentos soando

Anunciando uma história de livramento


Não bastou o Senhor ouvir

Seu povo também deve se inclinar

A palavra de Deus vem lhes atingir

Que ouça o povo o que Deus vai falar


Constantemente Deus ouve

Inesperadamente Deus vê

Esperançosamente Deus Desce

Para seu povo renascer


Ó Deus bendito que nos liberta

Deus da graça, de bondade e amor

Venha a nós na hora incerta

Ouça, veja e desça nosso libertador

Frei Anderson Domingues
Belo Horizonte/MG

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

PAULO E A AMIZADE


O termo amizade ou amigo não aparecem no corpus paulino. Mas Paulo prefere a linguagem do parentesco para caracterizar as relações das comunidades cristãs. Três pontos merecem ênfase: primeiro, as cartas eram o meio principal pelo qual os amigos procuravam superar sua separação física; em segundo, algumas das definições e descrições antigas típicas da amizade aparecem em suas cartas; em terceiro, ainda que a palavra amizade não conste na correspondência paulina, muitos dos termos ou conceitos do seu grupo interligado constam. O mais frequente é o termo “parceria”.

Um dos casos em que Paulo faz uso de múltiplos termos associados com a amizade é a passagem de Fl 4,10-20 em que fala da agricultura e da horticultura para descrever a amizade e seus préstimos. Então ele mistura a linguagem agrícola com a comercial quando trata da amizade. A terminologia utilizada por Paulo reflete a natureza recíproca do relacionamento de que ele goza com os filipenses.


A concentração de termos de amizade em 4,10 leva Paulo a negar sua necessidade e a afirmar sua auto-suficiência em 4,11. Paulo rejeita qualquer ideia de que sua amizade com os filipenses seja utilitária. Já em 4,12 uns catálogos de vicissitudes indicam como um indivíduo responde a situações drasticamente diferentes e a frustrações na própria sorte.

O fato de os filipenses não terem abandonado Paulo no tempo da sua aflição é então uma prova brilhante da realidade da amizade entre eles. Mas não é a seus amigos de Filipos que Paulo atribui sua capacidade de passar pelas vicissitudes da vida. Paulo atribui a Deus a função que outros atribuem à virtude e à amizade. A afirmação de que Paulo considera Deus como seu amigo é controversa, como também o é a asserção de que ele vê a Igreja como uma comunidade de amigos. Sua base principal é o uso do termo reconciliação, o qual tem o sentido de “mudar a inimizade para amizade”. Os termos para amizade e reconciliação são usados como sinônimos em relatos que descrevem o processo de negociar uma trégua entre acampamentos inimigos. Em síntese, a reconciliação produz uma mudança no afeto e na relação, marca o fim do ódio e o começo do retorno ao afeto.



Por causa da difusa ligação entre amizade, inimizade e reconciliação, a descrição da ação de Deus em Cristo que Paulo apresenta é reveladora. Deus agiu “enquanto éramos inimigos”, num tempo de hostilidade humana ao divino. Mas “fomos reconciliados com Deus por meio da morte de seu filho”. Este é paradigmaticamente o caso do próprio Paulo, profundamente transformado de adversário em enviado pela ação de Deus.

A linguagem da amizade era usada para identificar o que os cristãos partilhavam. Entretanto, 1 Tessalonicenses contém a linguagem do grupo interligado entre a amizade e a adulação; com a franqueza no falar, trata de problemas perenes da amizade, como a separação física e a morte de amigos queridos. 

Gálatas, escrita num momento em que a amizade de Paulo com os gálatas corria perigo de ser rompida, contém um tocante apelo que está repleto da terminologia amizade. Em 1 Coríntios, o pressuposto com que trata do problema da divisão da comunidade é o da “unidade de mente” de que os amigos têm o mesmo pensar e a mesma opinião. Já em 2 Coríntios, ele tem de enfrentar a acusação de que não é um amigo sincero ou constante, mas sim alguém cujo sim e não vacila conforme a ocasião, todavia, ele responde ressaltando sua integridade e sinceridade como pessoa. 



A maneira como Paulo escreve a Filêmon pressupõe que eles estão envolvidos num relacionamento recíproco, que Paulo recebeu de Filêmon grande alegria e conforto e que Filêmon tem uma grande dívida para com ele. Por fim, em Romanos, Paulo ainda faz uso da linguagem da amizade insistindo com os romanos para que partilhem mutuamente suas vidas alegrando-se com os que se alegram e chorando com os que choram, pois em virtude da atividade reconciliadora de Deus em Cristo, todos os cristãos são implicitamente amigos.

Frei Anderson Domingues
Belo Horizonte/MG

domingo, 3 de agosto de 2014

CONVIVÊNCIA CONGREGACIONAL


Em um dia chuvoso e corrido, o postulante Danilo e Frei Anderson fazem uma visita às Irmãs Assuncionistas, que vivem em uma comunidade de nossa Paróquia Cristo Redentor, em Belo Horizonte. Momento de graça de Deus e de muita alegria para todos. Tomamos mate com leite preparado pelas noviças argentinas, conversamos sobre as comunidades com as quais colaboramos pastoralmente e também sobre a primeira profissão religiosa da Noviça Andréa. Muita troca de experiência, partilha de vida e escuta aos clamores dos que nos procuram como auxílio nas necessidades. Para terminarmos essa convivência rezamos as Vésperas colocando no coração de Deus todos os necessitados, todos os vocacionados à Vida Consagrada e Religiosa e as comunidades em que vivemos. Deus seja louvado por esta oportunidade!